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Notas sobre a vida social da previsão climática: Um estudo do caso do Estado do Ceará

Taddei, Renzo

O presente trabalho é um estudo dos usos sociais das previsões climáticas no Estado do Ceará, Nordeste Brasileiro. Inicialmente textos importantes e de publicação recente em língua inglesa são apresentados e sumarizados. A bibliografia é em geral consensual em argumentar que as expectativas sociais com relação aos benefícios provenientes da aplicação de previsões climáticas são inconsistentes com fatores limitantes existentes nas circunstancias em que prognósticos de clima são utilizados. Tais fatores podem ser classificados como restrições ligadas a incompatibilidades de modelos mentais e esquemas de pensamento, e incompatibilidades operacionais e organizacionais. Dentro da primeira classe encontramos questões como formas locais específicas de entendimento de fenômenos climáticos, dificuldades no uso de informações probabilísticas, ruídos comunicativos provenientes do uso de jargão técnico na disseminação massificada de prognósticos, e formas distintas e mesmo antagônicas de conceber os benefícios sociais e econômicos provenientes do uso da informação do clima. Dentro das incompatibilidades operacionais e organizacionais encontramos problemas de descompasso entre escalas e padrões espaciais e temporais de decisão, a inerente variabilidade de fenômenos climáticos como o El Niño, a manipulação política de prognósticos de clima, dificuldades em transformar prognósticos de clima em prognósticos de impacto, incompatibilidades entre os graus de incerteza com que fornecedores e usuários da informação do clima trabalham, e a existência de múltiplos prognósticos inconsistentes a gerar crises de confiabilidade e legitimidade ligadas à atividade meteorológica. Argumentamos que as análises são geralmente demasiado superficiais no tratamento de formas locais estabelecidas de interpretação e contextualização das informações de clima, mais especificamente em dois níveis principais: por um lado, no que se refere aos discursos e narrativas religiosos sobre clima, fator presente de forma decisiva na forma como as populações do sertão nordestino se relacionam com o meio ambiente; e por outro, na forma como as dinâmicas sociopolíticas desta região semi-árida, através da "naturalização" da miséria e da vinculação desta aos fenômenos climáticos (isto é, através da explicação da pobreza através de fatores naturais como eventos de seca), criaram através da história uma forma específica de entender o papel social da meteorologia e a responsabilidade desta no gerenciamento do bem estar da população mais vulnerável. Através do uso de material etnográfico, analisamos estas duas questões, e concluímos que a meteorologia deve atuar de forma ativa para alterar padrões coletivos de entendimento de sua missão, seu papel e suas capacidades reais de contribuição com os esforços de adaptação da população às condições do semi-árido.

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Academic Units
International Research Institute for Climate and Society
Publisher
International Research Institute for Climate Prediction
Series
IRI Technical Report, 04-06
Published Here
June 1, 2010
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